Centro Comunitário da Quinta do Conde apoia diariamente mais de 600 agregados familiares

A instituição quintacondense completa, neste mês de Novembro, os seus 33 anos de intervenção social “de pessoas para pessoas”

Tendo sempre presente o objectivo de cooperar no apoio social à família e à comunidade, o Centro Comunitário da Quinta do Conde completou, no dia 17, o seu 33º aniversário. Neste mês de comemoração mas também de constante adaptação, a equipa da instituição quintacondense faz um balanço destes anos de vida e fala a O SETUBALENSE sobre os desafios e mudanças que a pandemia de Covid-19 trouxe consigo.

“Estamos a viver tempos diferentes, que fizeram com que tivéssemos de nos readaptar, estando predispostos a estar para a comunidade como sempre estivemos”, começa por dizer João Valente, presidente do Centro Comunitário da Quinta do Conde, ou, como gosta de dizer, “um dos sócios com mais responsabilidade”. Chegou enquanto pai e foi traçando o caminho até ao lugar actual de dirigente. Encontra-se a meio do segundo mandato, parte de uma equipa “voluntária e graciosa, que presta o seu voluntarismo nas suas horas possíveis”.

No edifício sede, o Centro de Convívio recebia habitualmente 80 pessoas por dia. O Centro de Dia, por seu turno, contava com 63. “Neste momento estamos vedados. Temos tido o máximo de cuidados com utentes e funcionários. Os centros de dia estão praticamente todos encerrados no distrito. Em Sesimbra, sabemos que está apenas um a funcionar mas com muito poucas pessoas”, diz. Ainda assim, a equipa do Centro Comunitário continua a prestar cuidados a todos os seus utentes. “Temos oito equipas na rua, que entre as 08h00 e as 20h00 prestam os cuidados básicos a estas famílias. Desde refeições a medicação e higiene, continuamos a fazer isso no nosso dia-a-dia sem diferenciamento”, explica.

Mais uma equipa na rua, o dobro das famílias a receber apoio

Neste período, também os pedidos de ajuda aumentaram. “Esta oitava equipa surge para dar resposta aos nossos sócios que estão isolados. Na área social, o trabalho tem sido acrescido. No Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas, da Segurança Social, a que prefiro chamar entrega de alimentos por confeccionar, os agregados familiares na Quinta do Conde duplicaram”, afirma. “Prestávamos este tipo de serviços a 140 agregados familiares e neste momento estamos a fazer para 280”, acrescenta, frisando que continuam ainda “com as cantinas sociais, para um conjunto de 12 famílias que não tem sequer possibilidade de confeccionar os alimentos e por isso vem buscar” e concluindo que “em números redondos, entre todas as nossas valências, apoiamos todos os dias mais de 600 agregados familiares”.

Um trabalho que nunca parou e se adapta a cada dia

Cristina Matos, directora técnica do Centro Infantil, recorda que “tudo decorria normal até 19 de Março. Tivemos de um dia para o outro de fechar as respostas de infância” e conta que apesar disso “enquanto casa, enquanto centro comunitário, temos serviços prioritários e de primeira linha e por isso tivemos de nos restruturar para fazer face às necessidades emergentes”. Os serviços do CCQC foram retomando a sua actividade gradualmente. Setembro trouxe o novo ano lectivo “com a nova normalidade em que todos os nossos objectivos se mantêm. Há que fazer com que todos se sintam o mais seguros possível e temos até agora tudo controlado”, garante. 220 crianças compõem o Centro Infantil do Centro Comunitário da Quinta do Conde, entre as valências de creche, creche familiar, jardim de infância e ATL. “Temos de ser criativos acima de tudo, manter o nosso foco de trabalho e fazer tudo para que as coisas corram o melhor possível”, remata a directora técnica.

33 anos nos quais “o mais importante são as pessoas”

Nas palavras de João Valente, todos estes são motivos pelos quais não podiam “deixar de comemorar o aniversário. Vamos continuar a estar com a comunidade. Se no passado tínhamos a casa cheia, agora temos a casa vazia de pessoas. O mais importante são as pessoas. Para nós não é tão importante esta mesa ou esta cadeira se não tivermos ninguém para se sentar nela”. A 17 de Novembro, data do aniversário, foram realizadas várias actividades respeitando as actuais medidas de segurança, e ainda neste âmbito serão colocados outdoors nos espaços da instituição “a identificar as candidaturas que temos em curso para que a comunidade possa perceber o que estamos a fazer”.

Lar residencial para idosos entre os projectos

Desde o seu nascimento, em 1987, o Centro Comunitário tem como um dos seus objectivos a criação de uma estrutura residencial para idosos. Em 2021, lançará o novo mote “Nascemos para ser um lar”, no seguimento de uma candidatura apresentada para este fim. “Será uma construção de raíz que proporcionará o ingresso de 80 utentes. Temos terreno, cedido pela autarquia. Temos projecto, a entregar em breve, e temos vontade”, refere João Valente. Entregue foi também uma candidatura ao programa PARES 3.0. “Não temos ainda resultados mas estamos muito expectantes para o possível aumento de duas salas de creche, integradas no mesmo edifício. Isto fará com que dupliquemos também a nossa capacidade para crianças até aos 3 anos”, adianta. O centro está ainda inserido no Contrato Local de Desenvolvimento Social 4G Sesimbra | Família + e a dar os primeiros passos na criação de Eco Bairros.